Esta garoupa que vos escreve é, digamos, disfuncional. Até há bem poucos anos, todos os homens que me rodeavam, à excepção do meu pai e de um ou outro colega ocasional, eram gays. Zero heteros no território.

Isto levou a uma elaborada teoria da conspiração por parte da minha mãe, dizendo que jamais iria encontrar um rapaz para namorar, se estava constantemente rodeada de gays. Preocupação razoável na cabeça dela. Acontece que conhecer muitos gays, permite que se criem estereótipos dos homens hetero no interior da minha cabeça, muito estimulados pela sociedade no geral e inúmeros estereótipos propagados infinitamente. Os homens hetero são duros. Os homens hetero não choram. Ai, que coisa de hetero!

Anos mais tarde, sempre encontrei um homem hetero que não tivesse medo de mim. A princípio foi estranho. Era todo  um mundo novo falar com pessoas que não viram a última season de RuPaul’s Drag Race. Aos poucos, como os casais fazem, apresentamos as coisas de que gostamos um ao outro.

Recentemente, fui apresentada a um dos mais consagrados dos filmes de macho e não, não falo do Tropa de Elite, mas sim de Warrior. Verdade que figura o Tom Hardy, mas, aos cinco minutos de filme, eu jamais teria prosseguido com a visualização, não fosse ter-me sido apresentado como «um dos meus filmes favoritos» pela cara-metade. Em casa dos meus pais, o meu pai foi também atraído pela promessa de porrada da grossa patente no «argumento» (não dispensa o uso de aspas) do filme que é sobre MMA (Mixed Martial Arts para aqueles que, como eu, não dominam estas lides). Podem ler a sinopse do filme no IMDB, mas eu resumo-vos a coisa bem rápido: são dois irmãos que andam à porrada, um para ganhar dinheiro, porque a família está falida e tal, e o outro porque precisa de dinheiro para pagar uma dívida de honra à família de um amigo. Os irmãos não gostam um do outro, porque o pai era bêbado e gostava mais de um do que do outro, e havia ciumeira.

São minutos de visualização de filme que não recuperarão em tempo de vida. No final do filme, os irmãos reconciliam-se depois de quase se matarem mutuamente (desculpem os spoilers, mas a sério, o filme não vale um chavelho). Eu bocejei. Olhei para os dois lados, enquanto a minha cara-metade e o meu pai secavam ambos uma lágrima. Entra aqui a parte do disclaimer: eu sou a criatura mais chorona da face da Terra. Eu choro mesmo com todos os momentos tristes televisivos, chega a ser piada entre amigos.

Só consegui pensar: «MAS QUE PORRA É ESTA??».

Eles a chorar, ambos visivelmente emocionados com o final do filme, que para mimfoi tão mal enjorcado, que nem me consegui importar com as personagens. Então percebi: homem hetero também chora! Por mais que nos vendam que homens são duros, homens não têm sentimentos, homens gostam é de filmes de porrada, na verdade, eles gostam dos filmes de porrada, porque quase todos têm uma mensagem de amor fraterno e irmandade!

Fez-se luz na minha cabeça! Façam a experiência, a sério. Todos os filmes de porrada têm sempre uma certa mensagem de fraternidade e os homens são, na sua maioria, sensíveis a isso, da mesma forma que eu sou sensível a filmes que envolvam makeovers (sim, adoro O Diário da Princesa e nem sequer tenho vergonha disso).

Por isso, queria partilhar com o mundo da internet (ou as três pessoas que nos lêem) esta descoberta: homem hetero também chora… e não há mal nenhum nisso!

Imagem: Trailer Warrior.

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