Março traz consigo a Primavera e convida-nos a sair de casa, respirar o sol e aproveitar parques, jardins e esplanadas na melhor das companhias. Mas para aqueles dias em que os amigos já têm planos e o namorado ou namorada têm de trabalhar, deixamos-vos um livro, um filme e um álbum vos poderão acompanhar para qualquer lado ou fazer passar uma incrível tarde no sofá.

 

Um livro (que podem ler em qualquer lado, de preferência quando voltar o sol): Seda, de Alessandro Baricco

sugestões para março seda

O jovem Hervé Joncour parte da vila onde vive, na França do século XIX, em busca de ovos de bichos-da-seda que possam assegurar o sustento daquele lugar. Por entre viagens e encontros atribulados, chegamos a um Japão onírico, quase inacessível, onde cair de amores por um olhar ocidental porá em causa a vida tranquila do nosso protagonista.

Razões para ler:

• O tom único e o ritmo da escrita de Alessandro Baricco, que transgride as normas e nos marca o caminho de forma fluida e inteligente.

• É um “conto grande” ou um “romance curto”, os capítulos não excedem as 3 páginas e o livro é leve, como um pedaço da melhor seda oriental, que ao passar a mão nem se sente.

• É muito mais do que uma história de amor, é a história de um homem que atravessa o mundo e faz uma incrível viagem ao interior em si mesmo.

 

Sugestões para março_Me Earl and the Dying Girl

Um filme (este é para ver enroscadinho no sofá): Me and Earl and the Dying Girl, de Alfonso Gomez-Rejon

Sim, sim, Março é o mês dos Óscares e essas coisas todas, mas os filmes que entram na corrida já são publicitados o suficiente e 99% da população tem a intenção de os ver. Qual seria a piada de sugerir um deles? Nenhuma. Assim, sugerimos algo mais low profile, não numa de ser hipster, mas porque é interessante para quem está à procura de passar uma boa hora (e 45 minutos).

Me and Earl and the Dying Girl é o coming of age de Greg, um miúdo inadaptado de 17 anos que se dedica a realizar, de forma amadora, adaptações de clássicos do cinema com o seu amigo Earl, e cuja mãe obriga a passar tempo com Rachel, uma colega de escola recentemente diagnosticada com cancro. Greg e Earl são então desafiados a fazer um filme para celebrar a vida de Rachel, sem saber que isso mudará as suas vidas.

Razões para ver:

• O filme distingue-se dos restantes “rapaz-conhece-rapariga-com-cancro” em vários aspectos. Primeiro, porque não é mais uma história de amor moribunda e sim uma bela homenagem à amizade entre rapazes e raparigas. Depois, porque seria expectável que um filme que aborda a temática “cancro” (principalmente numa pessoa tão jovem) fosse sombrio, pesado, com uma intensa carga dramática. Mas o seu tom é inesperadamente divertido e honesto sem deixar de abordar o assunto com a sensibilidade que merece, num óptimo equilíbrio entre a comédia e o drama.

• As personagens são bem construídas e equilibradas entre si, e a interpretação de todo o elenco é muito boa.

• A estética e edição são deliciosas, com a introdução de cenas em stop motion, a sobreposição de ilustração sobre imagem, a integração dos frames das montagens “caseiras” dos filmes de Earl e Greg e a própria decoração dos cenários.

• O cuidado com as ilustrações das capas e os trocadilhos com os títulos dos filmes adaptados por Greg e Earl são absolutamente geniais, muito divertidos.

• A banda sonora de Brian Eno (para ouvir aqui), que se adequa na perfeição aos momentos que embala.

 

sugestões de março linda_martini

Um álbum (para ouvir com o volume bem alto): Linda Martini, de Linda Martini

O mai novo da banda portuguesa revela, finalmente, o rosto da italiana que lhes inspirou o nome e dá-nos 45 minutos de puro rock, mais cru e acelerado que o seu antecessor, Sirumba.

Entre canções, melodias e divagações, temos reviravoltas inesperadas dentro de um mesmo tema que nos levam numa viagem de constante descoberta e deslumbramento.

Razões para ouvir:

• A voz do André, como sempre.

• As letras acutilantes, que nos fazem sorrir, que nos fazem pensar, que nos confortam por nos compreenderem tão bem (veja-se «Gravidade» e o seu Nem tudo é preto no branco/ Sou bandido e santo ou a constatação crua de «Se Me Agiganto»: Paredes de empena já não vale a pena resta-nos arder/Que esta chama lenta já virou tormenta ao entardecer).

• O rock, rock de verdade que se faz ouvir, o sentimento que estes 4 meninos põem nas músicas que fazem e se distingue em cada acorde, cada batida e cada distorção.

 

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