Gostávamos todos de espreitar 2018. A inteligência artificial está aí e o mundial de futebol também. Não sou capaz de precisar se por essa ordem, mas estão aí.

Pois é, infelizmente não vai ser possível. A Venezuelização do burgo chegou.

Ao colo do despesismo socialista, o fim bate à porta. O Leviatã, essa imensa lesma que esmagará o tecido económico luso, faz cucu. Convenhamos que não era nada que não fosse expectável. Não olhem para mim, eu não votei neles.
– Cucu: o desemprego, o agravamento da dívida, o défice galopante, e o inevitável coup de grâce: a bancarrota.

Chamem (duas vezes, que eles esquecem-se com facilidade) os velhinhos, salvem os pequenos.
– espero que tenham aproveitado seus degenerados socialistas, o fim está aí.
– então, mas o défice foi o mais baixo em democracia,
– essas cativações não enganam ninguém,
– a taxa de desemprego deixou os dois dígitos,
– tudo estagiários,
– a economia cresce acima da média europeia,
– a Europa está desfeita,
começámos a reduzir a dívida pública,
– isso é manipulação estatística,
– a nossa dívida deixou de ser “lixo”.
– vá já chega, o fim está aí. Tenho que dizer duas vezes?

Ahh o Leviatã é manhoso. Dissimula, engana, mente. A realidade aos vossos olhos é uma ficção zapatista, uma metáfora maoísta, um devaneio marxista. O que parece não é, e o que é, é tenebroso. O fim está aí e se não é hoje, para a semana não falha.

Pequeno aviso aos meus 15 leitores (olá mãe): o que se segue tem ainda menos graça.

Em 2014 estreou-se em Portugal a ficção neo-liberal, versão a realidade é o que eu fizer dela: o observador. Para quem, como eu, tiver vontade de desperdiçar tempo (vamos ser francos, enquanto não começa o mundial de futebol ou a inteligência artificial), recomendo. Para quem não tem, fica, ainda assim, o pedido. Espreitem. Andam por ali cronistas em dificuldades que são capazes de precisar de leitores.

No auge da erecção do edifício neoliberal pelas mãos desse “homem afinal tão decente que se calhar passou por aqui ao engano”, emergiu o observador. O assalariado da Tecnoforma, o best friend forever do Relvas precisava de amigos. No observador não arranjou só amigos, conseguiu fãs. O respaldo ideológico para a selvajaria liberal acessível aos nativos à distância de um clique: observador.pt.

Entre vários pressupostos luminosos, na cartilha releva um axioma: os socialistas levam-nos sempre à bancarrota.

Pequena introito para breve declaração de interesses: o meu amor por socialistas é semelhante ao do Pedro Guerra por hackers de correspondência electrónica. Acontece que só me consigo separar da realidade com a mesma impetuosidade de um cronista do observador depois de 10 finos, 3 tequilas e 4 whiskys. E isso fica caro.

Onde é que eu ia? A realidade. A realidade atropela os cronistas do observador com a violência de um pneumático sobre Loreto depois de uma tarde ao sol das caraíbas.

Como é que se escapa à realidade? Dickens.
Um conto de natal. O fantasma do natal passado e o fantasma do natal futuro.
– Eles já nos arruinaram antes e vão voltar a arruinar-nos.
Dickens versão neoliberal. No 2.0, web summit do clássico, não há fantasma do natal presente. Não passou no casting, provavelmente não resistiu ao assédio. #metoo, fantasma do natal presente.

Vão espreitar. Os rapazes do observador certamente precisam e convenhamos, têm muito mais graça que eu.

Em benefício da barrigada de riso, sugiro Alberto Gonçalves, Rui Ramos e José Manuel Fernandes. Do insulto gratuito ao revisionismo histórico terminando na vacuidade absoluta pintalgada de conceitos novilíngua. Por esta ordem.

– Eles já nos arruinaram antes e vão voltar a arruinar-nos.

De certeza que sim. Para a semana. Em princípio.

 

NEWSLETTER

Gostas de ler os nossos artigos?

Então subscreve a nossa newsletter e fica a saber que temas estão a alimentar a peixeirada aqui por estes lados.

Já sabes, prometemos somente dizer tudo o que nos apetece!

Subscrição bem sucedida!

Pin It on Pinterest