Provavelmente já ouviram falar de moda Plus Size por aí, mesmo que não se interessem remotamente por moda  (tenho todo um comentário para essas pessoas, mas fica para outro artigo, pode ser?). Ora bem, venho por este meio comunicar que tenho problemas com isto e passo a explicar quais são. Tudo começa com a designação “Plus Size”.

Plus What?

Começo por perguntar aos senhores da indústria da moda “Plus what???”. Enquanto outras designações usadas como Petite ou Tall são redutoras e ligeiramente pejorativas, esta é só totalmente pejorativa. Basicamente, foi a maneira que a indústria da moda arranjou para designar uma das secções das lojas como : “ó orcas, é aqui que se devem vestir”, o que não é fixe, mesmo.

Se eu quisesse vestir uma tenda, ia à Decathlon

Depois, vamos aos modelitos em si mesmos: se eu quisesse vestir cortinados, eu cozia-os e fazia deles um vestido, sim? Tendas também não são fixes e padrões circa início dos 80’s já estão um nadinha gastos, aliás, já o estavam nos anos 80. Acho que falo pela comunidade gorda quando digo: nós queremos o mesmo que as magras. Queremos vários cortes e padrões e não ficar limitada às riscas verticais que, segundo Obélix, é o único padrão que emagrece.

Quando é que sou oficialmente uma orca?

Outro verdadeiro problema do Plus Size é também a partir de quando és Plus e deixaste de ser um Size. Lojas como a Adolfo Dominguez decretaram que Plus Size era a partir do 42, o que me deixa um pouco chocada porque, tratando-se de uma loja de nacionalidade espanhola, o quadril avantajado deveria ser uma constante e não uma excepção, pois essa é a forma da mulher ibérica. Pergunto-me assim, porque raio deve existir a designação de Plus Size? Porque é que não pode simplesmente existir a mesma roupa em vários tamanhos? E porque é que não podemos ver roupa representada em modelos que vistam mais do que o 32? Nada contra quem veste o 32 e se encontra saudável e no seu peso normal (atenção, isto não é um artigo nem anti-magreza, nem pró-obesidade), mas não é expectável que uma peça caia da mesma forma num corpo mais magro do que cai num corpo mais volumoso.

Gosto também quando os modelos Plus Size estão representados numa senhora que veste o 34 mas tem, sei lá, aquelas coisas que as mulheres às vezes têm: curvas.

uma mulher pequena a vestir umas leggings enormes

Isto não é OK, está certo?

Uma coisa chamada proporções

Se vestem o 42 ou mais e têm a região da anca mais larga e, por algum acaso não têm pernas fininhas, provavelmente já se depararam com alguma dificuldade em enfiar as pernas num par de calças, especialmente se não tiverem aquele material que os deuses nos vieram mostrar, elastano. Assim, terão certamente reparado que as calças terão um rabo do tamanho do continente africano e umas pernas da largura de esparguete, mas progressivamente mais compridas. Como uma maldição nunca vem só, há que contemplar que as gordas aparentemente também podem sofrer de gigantismo.

Já que estamos na era da revolta no geral por nada em particular, talvez seja também tempo de considerar tratar todos os seres humanos como normais, já que ninguém é igual a ninguém e ninguém é Plus Sized porque simplesmente não existe um tamanho normal.

Fonte da imagem, a outra, é do Pinterest e não sei de onde veio, desculpa Internet.

 

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