no·ção

substantivo feminino

  1. Ideia que se tem de uma coisa.
  2. Conhecimento, notícia.
  3. Conhecimento elementar.
  4. Exposição sumária.

in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa, [consultado em 24-12-2017].

O título.

Não preciso de muito para justificar este título. Provavelmente não preciso de nada. Está tudo dito. Posso arrumar a trouxa e zarpar. Hoje é Natal. Vivemos em tempos em que vale tudo. Presidentes de associações que gastam dinheiro em vestidos caríssimos, presidentes de super potências que declaram capitais de países, fake news por todo o lado, neoliberalismo desmesurado, uma ascensão de dinheiro para os que vivem lá em cima. Aqueles, que lá em cima manipulam os cordéis que nos movem. Não falo de Deus. Não falo de entidades divinas, porque como boa ateia que sou, seria de mau tom. Falo das nossas elites deste tempo contemporâneo.

Os centros comerciais.

Andei pelos “shoppings”. Na correria da prenda de última hora. Porque é que todos deixamos as prendas para a “última hora”, se o Natal é sempre na mesma data? É sempre a 24 de Dezembro. Não muda. É sempre, sempre assim. Deixamos porque somos portugueses? Deixamos porque gerimos mal o nosso tempo? Não. Deixamos porque não o fazemos por prazer. Não o fazemos por dedicação às pessoas a quem temos de presentear. Porque não vamos vasculhar com calma e descontracção algo que será mesmo, mesmo adequado para aquele ser em questão. Fazemos porque tem que ser feito. Tem de ser. Fica mal se não o fizermos. Normalmente, dizemos coisas como “este ano é só uma coisinha”, “é só uma lembrança”, e escondemos nessa capa mais que rota, o gesto da nossa indiferença.

Ficamos quase sempre muito irritados pelo dinheiro que temos que gastar nesta quadra. Oiço murmúrios nos corredores do Colombo. Alguns de felicidade pela quadra em questão (porque nem tudo tem de ser mau) mas uma grande parte expressa indignação, exaustão e uma ansiedade imensa. É o sistema a obrigar-nos a entrar na roda gigante. Não a do Wonderland (que é bem pequenina, por sinal), mas a roda de hamster gigante em que nos movemos nos interlúdios dos minutos da nossa vida.

Ferrero Rocher.

Houvesse forma física para tal, enviaria uns bons quilos de noção a muita gente. Para toda a gente. Adorava que viessem em forma de Ferrero Rocher. Que fosse aceitável socialmente oferecer e dizer algo como “este ano tive tempo, procurei bem e achei que esta prenda era mesmo apropriada para ti”. Provavelmente também eu receberia uma caixinha de noção cheia de unicórnios. Porque para além de paz, igualdade, respeito pelos direitos humanos e de uma consciencialização pelo ambiente que nos rodeia, é realmente preciso mais noção para não nos imiscuirmos na parvoíce que nos rodeia.

A consciência.

As redes sociais são o espelho mais real dessa realidade. Já vos disse que vale tudo? Menos olhar para o lado e entender. Há apenas o acto de ver. Não existe o acto de olhar atentamente e contextualizar. Se todos deixarmos de olhar para o nosso umbigo e fundo da nossa carteira, alcançamos o nirvana da noção. Se deixarmos de seguir esta terrível educação que nos foi dada de que o objectivo é ser o maior da nossa aldeia, conseguimos escapar pela malha da rede que nos cerca a todos. Observar de fora. Perceber. Ter noção.

Bom Natal a todos.

Foto: @frasesdem3rda (Adoro especialmente a fonte desta foto. Ajuda na ideia.)

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