Desde Setembro, o nosso Sistema Nacional de Saúde (SNS) abriu uma página, começou a investir seriamente no Facebook e a comunidade está a gostar.

O que o Sistema Nacional de Saúde anda a fazer

Além de informação ou novidades sobre as centenas de unidades de saúde e das várias notícias que vão sendo publicadas nos jornais, todas as semanas surgem campanhas que servem única e exclusivamente para informar, sem qualquer outro intuito. (E não é que é mesmo isso que o Sistema Nacional de Saúde devia promover?)

Com humor e em ilustração, de repente, a saúde já parece uma coisa gira. Uma pessoa percebe que não precisa de estar doente ou de tourear um texto científico com um dicionário médico para se poder ir informando. Além disso, os dados que costumam esconder-se em relatórios extensos surgem simples, qual aparição aos olhos do comum mortal que gosta de saber um pouco mais. Há muito que o Sapo Saúde deveria ter deixado de ser a principal fonte de informação sobre saúde em português.

    

Além disso, parece-me mais interessante que se possa melhorar o conhecimento em saúde por outra via que não a de taxar de alimentos com sal, ou açúcar como medida «corretiva», qual paizinho que castiga a criança que não tem idade para saber o que faz. Chega de tomar as pessoas por parvas, de vir com essa de serem precisas medidas taxativas porque as pessoas não sabem o que fazem. Mesmo que não saibam ensina-se e explica-se, mas não se tenta levar cegamente alguém pela mão. Isso só é bom para quem quer, assim, perpetuar uma posição de poder perante a ignorância «inapta» para decidir.

O Facebook não é um meio consensual e no nosso Portugal não é fácil conjugar a vertente social com a comunicação do marketing e publicidade. Somos gente desconfiada e se, num momento, rimos com uma piada tola, noutro, estamos a franzir o sobrolho.

Ainda assim, com a quantidade de gente que por lá anda é uma via de comunicação difícil de ignorar. Seria uma pena que não fosse usado para coisas que importam e, neste caso, nem se trata de publicidade per se. O que o Sistema Nacional de Saúde está a fazer é serviço público.

Naturalmente, há ainda coisas a melhorar, mas, para já, thumbs up!

Uma palavra ao chico-esperto do marketing no Facebook

Apesar de o Facebook ter hoje quase 14 anos – foi fundado em Fevereiro de 2004 –, é incrível a ignorância com que alguns gurus do marketing e publicidade o encaram. Tão ávidos que vocês estão por novos canais e «ideias inovadoras», e falham redondamente em entender que o sentido de comunidade reage pouco ao forçar de uma imagem que quer falar, mas não quer conversar com ninguém. Encaram-no como mais uma montra para onde atirar informação, quando toda a gente sabe que uma montra é, antes de mais, uma encenação. Não é para isso que uma rede social serve!

Depois, parem com isso do «se não está no Facebook não existe» como justificação para estar lá, independentemente de não saberem o que estão a fazer. É falso, fica-vos mal e parecem estúpidos.

Sugeria que parassem para resolver essa crise existencial. Se acham que não existem se lá não estão e é aquela a vida sensaborona que querem ter – celebrando todos os dias mundiais do não sei o quê, espetando logos e fotografias de banco de imagens com pessoas desumanamente perfeitas –, talvez melhor fosse que não existissem mesmo.

Depois, se ainda assim acham que querem mesmo lá estar, então entendam que não podem estar a falar de acordo com um manancial de regras que, apesar de criar uma comunicação institucionalmente polidinha, não fazem parte da vida vivida de pessoas que encontram nas redes sociais fontes de informação, partilha e entretenimento.

Se não têm estaleca e uma equipa como deve ser para acompanharem o que se passa no mundo (a uma velocidade incrível), se não entendem com quem falam (e que não podem querer falar com toda a gente ao mesmo tempo) e se não estão atentos à evolução da forma como as pessoas falam e se comportam, então, estejam quietos! Parece fácil porque toda agente abre uma página em 5 minutos, muita gente está lá e logo qualquer um o pode fazer… só que não.

 

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