Desde que a Madonna (ou Má Donna, como a grande maioria da população portuguesa designa a artista) decidiu vir viver para Portugal, muita (demasiada?) tinta tem corrido sobre o assunto.

Por isso, quero aqui deixar a minha carta aberta à mulher que ensinou ao mundo que um soutien com cones é uma coisa que existe, que o diastema não é coisa só de totós e que se calhar nem toda a gente precisava de ter um único pêlo nas sobrancelhas durante os anos 90:

“Madonna, filha,

Vais-me perdoar o tom paternalista que não é nada meu (palavra de honra!), mas a modos que se há coisa que eu domino é esta história de ser portuguesa. É que, parecendo que não, sou portuguesa desde que nasci. Por isso, só porque somos amigas e porque foste responsável por muitos momentos de animação em noites loucas no Trumps, aqui ficam os meus inputs que, estou certa, vão melhorar a tua residência neste orgulhoso rectângulozito.

Eu sei que provavelmente não sabes, até porque ler o jornal é uma coisa de povito, mas aqui em Portugal estamos a atravessar uma certa crise do sector imobiliário, daí a tua dificuldade em arranjar um palacete de instalações convenientes à tua fama, louvor e, quiçá que não seja húmido porque, convenhamos, a idade é coisa que não perdoa.

Consta ainda que tiveste um pequeno encontro de terceiro grau com aquela que, tenho a mais plena das certezas, se trata da verdadeira entidade de boas-vindas: a Autoridade Tributária e Aduaneira. Aposto que os fofos nem queriam acreditar quando te pediram a documentação (BI, factura, print screen da loja online, filho primogénito, duas gotas de sangue colhidas ao luar, etc. etc.) e viram a identificação. Aposto mesmo, que o episódio decorreu algo dentro destas linhas:

– Ó Zé Manel?

– Hã? Já está na hora de almoço??

– Não! Esta tipa diz que é a Má Donna!

– AHAHAHAH! A seguir é quem, o Eusébio ressuscitado?

Pelo menos, na minha cabeça, foi assim que se processou.

Na verdade, querida Madonna, tudo o que precisas de saber para ter uma vida longa e feliz em Portugal é: podemos ser pequeninos e simpáticos, mas podes ter a certeza que somos temperamentais. Se está difícil arranjar casa? Está. Se os funcionários da alfândega são exasperantes? Ai, filha, tanto. Se tu podes falar mal disso? Ah pois que não, para falar mal estamos cá nós.”

Desejo, no entanto à Sr.ª Madonna uma excelente estadia no nosso país e que cante muita música sobre o nosso marisco em trajes menores.

Fonte da imagem.

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