Mais um mês de Novembro que contou com um Vodafone Mexefest 2017 a animar a Avenida da Liberdade da nossa Lisboa. Para contextualizar o que direi em seguida, vou só deixar a informação que o Mexefest é a minha Meca pessoal. Vou religiosamente desde o tempo em que ainda se chamava Super Bock em Stock.

Por isso este ano, mais uma vez, comprei o bilhete sem saber sequer como estava composto o cartaz porque, até hoje, nunca tinha ficado demasiado desiludida. Excepção feita no ano passado onde a ausência de Charles Bradley como cabeça de cartaz foi francamente sentida. Este ano, a maldição de Charles Bradley voltou a atacar, sendo que o senhor acabou por falecer depois de ter cancelado, devido a agravamentos na doença. Perda sentida para o mundo da música e para o cartaz do Mexefest. Este cancelamento devido a doença, culminando no falecimento do artista já tinha ocorrido com a Sharon Jones também, outra grande perda para o mundo da música.

Pensávamos nós, os amantes musicais: “vai valer a pena na mesma, teremos Jessie Ware e toda uma série de artistas ainda assim bons”. Depois disto, a Jessie Ware cancela devido a “conflitos na agenda”. Seja lá o que isso for. No final, acabámos com um cartaz algo depenado e uma sombra ligeira do que foi o festival em anos anteriores.

A noite começou com um concerto aqui e ali, nada de especial. Depois, vieram os antecipados Destroyer. Durante o concerto, o vocalista apoiava-se no suporte do microfone enquanto emborcava a incrível colecção de cervejas que tinha aos seus pés, e cantava desafinadamente. Classe. Depois, mais uma série de concertos que foram tudo menos memoráveis, tendo eu decidido terminar a noite com prata da casa, de seu nome Samuel Úria que, para mim, foi o melhor da noite. Saí do primeiro dia algo desanimada, mas ainda assim esperançada para o dia seguinte.

No dia seguinte, perdi Sopa da Pedra, banda portuguesa que queria ver, devido a uma insistência em organizar a minha casa de forma imaculada ao sábado à tarde (coisas de gente esquisita). Entrei esbaforida em Aldous Arding depois de 30 minutos à procura de estacionamento na Avenida da Liberdade (mea culpa), onde um segurança se divertiu uns bons 3 minutos a puxar-me a pulseira para ver se estava bem agarrada, qual pequeno primata de polegares oponíveis. Assim que entrei em Aldous Harding, no entanto, toda e qualquer emoção que me habitasse abandonou-me, sendo substituída pela sensação mais comum na minha existência: sono.

Na esperança, corri para Everything Everything, que foi bem bonito, embora estivesse no fim. De seguida, entraram os tãooooo hyped Cigarettes After Sex que, nas palavras do meu bisavô são a chamada música dos malucos “não tem princípio, nem meio, nem fim, começam em larai larai, acabam em larai lari”. Ou seja, perdoem-me os fãs, mas há ali pouca variedade melódica. Depois, em Julia Holter podia jurar que um pequeno ronco saiu de mim. Saímos à procura da badalada Sevdaliza ou, como decidi apelidá-la, Kim KW Indie, que actuava no S. Jorge. Chegámos e a fila chegava ao Parque Mayer. Meia volta, e vamos lá a Liars. Em Liars, encontrámos o vocalista aos pinotes, vestido de noiva, no meio de muitos ácidos.

Decidi nesse preciso momento duas coisas: só voltarei ao Vodafone Mexefest quando o festival apresentar um cartaz digno e “I’m getting too old for this shit”.

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